Amor de Perdição

de Camilo Castelo Branco    | publicado originalmente em 1862

Editor: Neolivros

Ano de edição: 2008

Páginas/Palavras: 161/0

Categorias: Romance | Clássico

Download:   pdf | ereader | Mobipocket | java

Notice (8): Undefined variable: ortographynote [APP/View/Publications/view.ctp, line 63]

Sinopse

Amor de Perdição é o romance mais célebre de Camilo Castelo Branco, um dos principais autores do romantismo português, com a primeira publicação em 1862.

Ao longo de uma novela passional, o autor retrata em tom trágico as frustrações da busca da felicidade e do amor. Conta-nos a história amorosa de Simão Botelho e Teresa Albuquerque, um amor proibido, condenado pela rivalidade das respectivas famílias.

Teresa acaba num convento. Simão segue os impulsos do coração e envolve-se em peripécias várias, conduzindo-se a um fim trágico.

O autor

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825. Revelou-se um profissional das letras, verdadeiramente multifacetado, tendo sido romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor (wikipédia).

A sua vida atribulada e passional, tipicamente romântica, serviu de inspiração às suas novelas. Casou muito cedo, com apenas 16 anos, com Joaquina Pereira de França, casamento que não resistiu muito no tempo. Mais tarde, cai de amores por Ana Plácido, que casa com negociante brasileiro. Camilo não desiste, seduz Ana Plácido, e acabam ambos na cadeia da relação do Porto acusados de adultério. Absolvidos, passam a viver juntos, sendo ela a mulher dos seus filhos.

O seu percurso académico é igualmente conturbado. No Porto, estuda Medicina depois Direito e chega a frequentar o Seminário. Dedica-se ainda ao jornalismo.

A sua vida ao lado de Ana Plácido será passada a escrever a um ritmo elevado. Escreve, entre 1851 e 1890, mais de 260 obras.

O desespero causado pela sua crescente cegueira está a origem do suicídio a 1 de Junho de 1890.

Excerto

Folheando os livros de antigos assentamentos no cartório das cadeias da Relação do Porto, li, no das entradas dos presos desde 1803 a 1805, a fl. 232, o seguinte:

Simão António Botelho, que assim disse chamar-se, ser solteiro e estudante na Universidade de Coimbra, natural da cidade de Lisboa, e assistente na ocasião de sua prisão na cidade de Viseu, idade de dezoito anos, filho de Domingos José Correia Botelho e de D. Rita Preciosa Caldeirão Castelo Branco; estatura ordinária, cara redonda, olhos castanhos, cabelo e barba preta, vestido com jaqueta de baetão azul, colete de fustão pintado e calça de pano pedrês. E fiz este assento, que assinei – Filipe Moreira Dias.

À margem esquerda deste assento está escrito:

Foi para a Índia em 17 de Março de 1807.

Não seria fiar demasiadamente na sensibilidade do leitor, se cuido que o degredo de um moço de dezoito anos lhe há-de fazer dó. Dezoito anos! O arrebol dourado e escarlate da manhã da vida! As louçanias do coração que ainda não sonha em frutos, e todo se embalsama no perfume das flores!

Dezoito anos! O amor daquela idade! A passagem do seio da família, dos braços da mãe, dos beijos das irmãs, para as carícias mais doces da virgem, que se lhe abre ao lado como flor da mesma sazão e dos mesmos aromas, e à mesma hora da vida! Dezoito anos!... E degredado da pátria, do amor e da família! Nunca mais o céu de Portugal, nem mãe, nem reabilitação, nem dignidade, nem um amigo!... É triste!

O leitor decerto se compungia; e a leitora, se lhe dissessem em menos de uma linha a história daqueles dezoito anos, choraria!

Amou, perdeu-se e morreu amando.

É a história. E história assim poderá ouvi-la a olhos enxutos a mulher, a criatura mais bem formada das branduras da piedade, a que por vezes traz consigo do Céu um reflexo da divina misericórdia?! Essa, a minha leitora, a carinhosa amiga de todos os infelizes, não choraria se lhe dissessem que o pobre moço perdera a honra, reabilitação, pátria, liberdade, irmãs, mãe, vida, tudo, por amor da primeira mulher que o despertou do seu dormir de inocentes desejos?!

Chorava, chorava! Assim eu lhe soubesse dizer o doloroso sobressalto que me causaram aquelas linhas, de propósito procuradas, e lidas com amargura e respeito e, ao mesmo tempo, ódio. Ódio, sim... A tempo verão se é perdoável o ódio, ou se antes me não fora melhor abrir mão desde já de uma história que me pode acarear enojos dos frios julgadores do coração e das sentenças que eu aqui lavrar contra a falsa virtude de homens, feitos bárbaros, em nome da sua honra.

Comentários

Comente esta obra

Classificação*:
15 (Excelente)

* Todos os campos são de preenchimento obrigatório.